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Mar 10 2015

Scania exporta metade de sua produção no ABC

  •  Terça, 10 de Março de 2015.

O agravamento da crise na indústria de veículos comerciais no Brasil provocou uma situação insólita na operação da Scania no país. Hoje, a fábrica da marca sueca em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, dedica metade da produção a exportações. Isso acontece porque a empresa está buscando mercados no exterior para ocupar a capacidade não utilizada pelas encomendas do mercado doméstico, onde a demanda cai, em 2015, para o nível mais baixo em seis anos.

Em 2013, ano recorde das vendas da Scania no Brasil, o mercado brasileiro absorvia 80% da produção no ABC. No ano passado, o percentual caiu para 65% e agora está em apenas 50%. Na medida do possível, a matriz do grupo na Suécia tem acionado a fábrica brasileira, onde são fabricados caminhões e ônibus, para atender mercados no Oriente Médio e na África, além dos tradicionais países consumidores de veículos brasileiros na América Latina: Argentina, Chile, Peru, Uruguai e México.

"Essa é a vantagem de termos aqui exatamente os mesmos produtos que produzimos na Europa. Isso nos dá flexibilidade para usar nossa capacidade para atender a outros mercados. Se a situação mudar, podemos voltar a dedicar a produção [de São Bernardo] ao mercado brasileiro e deixar, por exemplo, que a fábrica na Suécia abasteça os mercados internacionais. A demanda é que define o que vamos fazer com a produção", diz o presidente da montadora na América Latina, Per-Olov Svedlund, mais conhecido na empresa pelas iniciais de seu nome: P-O.

Com o consumo doméstico afetado pela fraca atividade econômica e as exportações sustentadas pela melhor competitividade do câmbio, os volumes de produção da Scania para o mercado interno e externo convergiram para o mesmo nível.

Entre os esforços feitos pela multinacional para alinhar a fábrica brasileira - e consequentemente seus produtos - ao padrão tecnológico das demais operações do grupo no mundo, a Scania concluiu no parque industrial de São Bernardo investimentos de R$ 96 milhões numa nova linha de pintura e montagem de cabines de caminhões. Mais automatizada e eficiente no aproveitamento de até 140 cores diferentes de tinta, a produção começou em janeiro. Até outubro, o novo setor deve alcançar o ritmo de produção da cabine de pintura antiga, que não foi desativada.

"Esse é mais um passo que damos para chegarmos ao nível técnico de produção que já temos na Europa", afirmou o executivo em entrevista ao Valor na sede da fabricante no ABC.

Segundo o executivo, mesmo com a forte retração das vendas, a montadora, na expectativa de que a crise não se estenda por muito tempo, pretende manter o ritmo de investimento no Brasil, de aproximadamente R$ 100 milhões por ano. Seus principais projetos incluem R$ 31,9 milhões na instalação de um laboratório de testes de motores - a ser inaugurado até o fim do ano - e R$ 9,9 milhões na adaptação dos ônibus da marca aos corredores rápidos de coletivos: o BRT (Bus Rapid Transit) e o BRS (Bus Rapid Service).

Sem traçar números, o presidente da Scania diz que o mercado de caminhões neste ano será "muito menor" do que foi em 2014, quando os emplacamentos, de todas as montadoras, somaram 137,1 mil unidades. Ao justificar a expectativa, ele cita a fraca atividade econômica, com impacto negativo sobre a demanda por transporte de cargas, e o encarecimento das taxas, com condições mais restritivas, dos financiamentos a bens de capital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Só no primeiro bimestre, as vendas de caminhões no Brasil caíram 39,4%, somando 12,9 mil unidades, no menor número desde 2009 (12,7 mil). O executivo diz que o cenário não mudou nos últimos dias. "Algumas semanas, chegam muitos pedidos. Em outras, não. Não vejo sinais econômicos de que o mercado vá melhorar tão cedo." Desde o auge de produção da montadora, em 2013, a empresa já eliminou cerca de 500 vagas de trabalho na fábrica do ABC ao não renovar contratos temporários.

Fonte: Valor Econômico