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Fev 12 2015

Planejamento de montadoras minimiza crise hídrica no setor automotivo

  •  Quinta, 12 de Fevereiro de 2015.

Há anos as montadoras promovem medidas e investimentos internos para minimizar sua dependência da água fornecida por companhias de saneamento. Seja por redução de custos ou real preocupação com o meio ambiente, ou ainda ambas, essas ações reduziram o consumo de água nas linhas de montagem e áreas administrativas e blindaram, de certa forma, as companhias de possíveis problemas em momento como o atual, de séria ameaça de falta deste recurso natural.

A princípio a restrição hídrica – termo cunhado por governantes para se referir a um eventual racionamento de água nos estados da região Sudeste – não é uma preocupação no chão de fábrica: nenhuma das quinze montadoras consultadas pela reportagem da Agência AutoData considera a eventualidade de interromper a produção devido a problemas no abastecimento hídrico. Mas nem por isso deixaram de intensificar as campanhas internas para a redução de consumo.

Em sua última coletiva à imprensa a Anfavea divulgou dados colhidos com suas associadas que indicam redução de 29% no uso de água por veículo produzido de 2008 a 2011, de 5,5 m³ para 3,9 m³. O presidente Luiz Moan estimou que esse índice provavelmente foi reduzido ainda mais de lá para cá e prometeu para breve a divulgação de dados mais atualizados.
Na Honda, por exemplo, toda a água de consumo usada nas áreas administrativas e banheiros vem de poços artesianos do terreno da fábrica de Sumaré, SP. A água de uso industrial é captada do rio Jaguari e retorna ao meio ambiente depois de passar pela Estação de Tratamento de Efluentes localizada nas dependências da companhia.

“Na área de pintura a água é usada, tratada e retorna ao processo”, explicou Otávio Mizikami, diretor de produção da fábrica. “Há anos a Honda incentiva o uso racional da água e nos últimos meses aumentamos as campanhas internas. Tomamos também pequenas medidas, como a instalação de novos hidrômetros que fazem aferimento individual do consumo da água e pudemos identificar possíveis economias em algumas áreas”.

Mizikami cita como exemplo a regulagem das torneiras automáticas do banheiro: a Honda identificou que poderia reduzir o tempo médio de abertura e fechamento da vazão da água e, com isso, evitar o desperdício. “São pequenas ações que, conjuntas, podem reduzir bastante o consumo.”

Por sua vez a Iveco adotou no primeiro trimestre do ano passado um sistema que permite reduzir pela metade o uso da água necessária para o pré-tratamento de cataforese na pintura em sua fábrica de Sete Lagoas, MG, gerando economia de mais de 23 mil m³ por ano – o equivalente a nove piscinas olímpicas. Os sprays, que antes usavam água virgem, agora são alimentados com água reutilizada do próprio processo, sem influenciar na qualidade.

Desde setembro os jardins da unidade são irrigados com água de reuso, que passam por tratamento de efluentes e geram uma economia de 17,7 mil m³ por ano. Outros 20 milhões de litros por ano são economizados a partir da adaptação de uma rede para retornar a água utilizada nos testes semanais do tanque de armazenamento de água industrial.
Em Sorocaba, SP, onde a Iveco opera um Centro de Distribuição de Peças, foram investidos R$ 1,5 milhão para instalar um sistema de reutilização de água. A economia chegou a 30% do consumo. Também foi instalado um sistema de captação e contenção das águas da chuva, com um tanque capaz de armazenar 6 milhões de litros.

“Ter uma estrutura sustentável nos projeta no mercado com valores ambientais e conceitos de responsabilidade que são essenciais e valorizados pelos nossos clientes. Hoje economizamos 47% de energia elétrica e investimos em uma estrutura de poços artesianos que garante autossuficiência do Centro de Distribuição de Peças, sem necessidade de contar com o abastecimento da rede pública. É assim que agregamos a responsabilidade ambiental em nossa rotina de trabalho”, disse o diretor de operações do centro, José Roberto Manis.

Fonte: Autodata Online