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Dez 18 2014

Aumento do percentual de etanol na gasolina pode provocar problemas no motor

  •  Quinta, 18 de Dezembro de 2014.


Mesmo com o adiamento para fevereiro, dá pra dizer que o aumento do percentual do etanol na gasolina de 25% para 27,5% é quase certo, já que a medida beneficia tanto os produtores desse combustível quanto a Petrobras, que precisará importar menos o combustível derivado do petróleo. Outro indicativo de que a intenção de implementar a medida é imensa está no fato de a Lei 13.033, de 24 de setembro de 2014, ter sido sancionada sem que qualquer teste de viabilidade técnica tenha sido feito anteriormente.

Os estudos de viabilidade técnica e durabilidade ficaram a cargo do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes). De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), esses estudos já estão concluídos e foram entregues aos participantes do grupo de trabalho que analisa a viabilidade da alteração do percentual de mistura de etanol anidro à gasolina. Ainda segundo o MME, a decisão sobre uma eventual alteração no percentual de mistura não tem prazo para ocorrer.

Quanto aos resultados do estudo efetuado pelo Cenpes, o MME garante que, em todas as situações avaliadas, a nova mistura não comprometeu nem o funcionamento nem os níveis de emissões. Os testes foram efetuados em veículos exclusivamente a gasolina, de diversas anos de fabricação e tecnologias, importados e de fabricação nacional. Também foram testadas motocicletas movidas a gasolina, produzidas por mais de um fabricante, de diversas anos de fabricação e tecnologias. Ao todo, foram testados nove veículos, além de outros quatro solicitados adicionalmente pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e mais sete motocicletas.

Na última reunião em que o assunto foi tratado, com representantes do governo (Casa Civil e Ministério de Minas e Energia) e do Fórum Nacional Sucroenergético (que representa os produtores de etanol), a Anfavea pediu que fossem feitas mais análises do efeito do “novo” combustível em veículos importados. Apesar disso, a Anfavea preferiu não comentar os resultados dos testes antes da conclusão. A associação afirma que está participando ativamente dos testes de durabilidade.

IMPACTO - Mas qual é o impacto desse aumento de etanol no motor do seu carro? De acordo com Henrique Pereira, da Comissão Técnica de Motores Ciclo Otto da SAE, os carros flex não serão afetados, “a não ser pelo fato de estar pagando por gasolina e levando ainda mais etanol”. Segundo o engenheiro, o máximo que pode acontecer é um aumento no consumo na ordem de 1,5%. “Pode parecer pouco, mas no fim de um ano, dependendo do modelo e da quilometragem percorrida, pode ser um gasto significativo”, avalia. Mauricio Assumpção Trielli, professor de Engenharia Mecânica do Centro Universitário FEI e especialista em motores e combustíveis, analisa o impacto dessa mudança quanto às emissões: “Você vai ver uma diminuição do monóxido de carbono, mas um aumento dos aldeídos”.

VELHINHOS - Já os veículos movidos apenas a gasolina podem “sentir” essa mudança. Como praticamente todos os modelos produzidos no Brasil atualmente são flex, temos dois perfis de carros inclusos nessa turma: os veículos mais velhos e os importados. De acordo com Edson Orikassa, da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, existem basicamente duas preocupações a respeito do aumento do percentual de etanol na gasolina. O primeiro, de ordem química, pode afetar os veículos mais velhinhos, que é o “ataque” aos polímeros que entram em contato com o combustível, presente nas vedações, mangueiras, tubos e no próprio tanque. Isso poderia causar até vazamento de combustível. Para Trielli, os velhinhos que mais podem sentir os efeitos do acréscimo de etanol nos materiais que ficam em contato com o combustível são os fabricados antes de 1980. Na opinião de Orikassa, a variação no percentual da mistura não exigiria uma nova regulagem no carburador. Porém, Pereira e Trielli acreditam que o carburador vai exigir uma nova regulagem.

IMPORTADOS - O segundo problema, segundo Orikassa, seria a mudança na performance do motor, preocupação maior entre os importados. Ele explica que, até mesmo por questão de exportação, existe no mundo uma tendência a ter veículos preparados para a mistura de etanol na gasolina. De acordo com o engenheiro, na parte de materiais, as especificações usadas lá fora permitem contato com esse tipo de combustível sem maiores problemas. Mas, quanto ao software, mesmo em mercados onde a gasolina é pura, os veículos não “estranham” misturas de aproximadamente 10%.
“Mas 27,5% seria demais para esses veículos, razão pela qual eles precisam ser adaptados para rodar aqui”, explica Orikassa. Segundo o engenheiro, mesmo adaptados, os importados podem apresentar problemas como a oscilação da marcha lenta, aceleração insuficiente, desligamento do motor ou entrar em modo de emergência caso o software não processe bem essa mistura. Já Trielli esboça maior preocupação quanto à deformação dos materiais do que o funcionamento do motor.
 

Fonte: Estado de Minas (Via Portal Vrum - Por Pedro Cerqueira)