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Nov 26 2014

Tecnologia para reduzir distrações do motorista é desfaio para montadoras

  •  Quarta, 26 de Novembro de 2014.

No futuro, os carros vão se dirigir sozinhos. Mas, primeiro, as montadoras globais precisam convencer os motoristas que seus veículos podem realizar tarefas simples por conta própria, como mudar a estação de rádio ou fazer uma chamada telefônica.

O recorde de 50 milhões de recalls de carros registrado este ano pela indústria automobilística colocou em destaque problemas em sistemas mecânicos como interruptores de ignição, bombas de combustível e airbags. Olhando para o futuro, o setor enfrenta desafios igualmente complicados com os sistemas digitais, que estão ficando mais complexos e, em alguns casos, mais difíceis de usar.

Uma tecnologia criada originalmente para tornar os carros mais seguros é agora investigada em função dos problemas que tem causado. Sistemas de comando de voz e o software que os acompanham ficam desatualizados rapidamente ou não funcionam direito, gerando uma avalanche de queixas de consumidores e pesquisas questionando o quanto eles são realmente seguros.

As montadoras se apressaram em adotar esses sistemas de reconhecimento de voz já que reguladores, preocupados com a distração dos motoristas, passaram a proibir o uso de aparelhos por motoristas atrás do volante. O uso de celulares ao dirigir é ilegal em vários países; o uso de controle de voz "sem uso das mãos", porém, é normalmente incentivado.

Mas o controle de voz pode apresentar muitas falhas e o esforço para fazê-lo funcionar muitas vezes leva o motorista a cometer imprudências no trânsito. Um estudo recente realizado pela Universidade de Utah descobriu que alguns sistemas de comando de voz podem provocar quatro vezes mais distrações do que simplesmente dirigir.

"Entre 80% a 90% dos acidentes são [causados por] erro humano", diz Deborah Hersman, chefe do Conselho Nacional de Segurança dos Estados Unidos e ex-presidente do Conselho de Segurança do Transporte. "Por que iríamos querer introduzir mais um fardo cognitivo?"

Outros pesquisadores dizem que o setor não deveria interromper a adoção de controles de voz. Mesmo que a opção de ter as mãos livres eleve a sobrecarga sensorial, sua disponibilidade reduz a probabilidade de que motoristas escrevam mensagens de texto, procurem listas de músicas ou usem mapas em um smartphone que está balançando no joelho.

"Eu não diria que a ativação por voz é segura", diz o pesquisador Bryan Reimer, do MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, que recentemente estudou como os motoristas dirigem interagindo com os óculos computadorizados Google Glass. "Mas é mais seguro que a opção de usar os dedos", diz ele. Mesmo assim, há sinais de que os motoristas consideram esses aparelhos um incômodo.

A revista de análise de produtos "Consumer Reports" descobriu que problemas com sistemas de informação e entretenimento - reprodutores de música, navegadores da web e telefonemas via smartphones - são agora o principal motivo de queixas de donos de carros, superando falhas mecânicas ou o barulho do vento.

Outro estudo da firma de pesquisa de mercado J.D. Power and Associates descobriu que o volume de queixas sobre os sistemas de reconhecimento de voz embutidos é quase quatro vezes maior que o número de queixas sobre a transmissão ou os porta-copos.

Fonte: Valor Econômico – The Wall Street Journal Americas