SINCODIV/SE - Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veîculos do Estado de Sergipe.

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Out 25 2017

Crédito a crédito

  •  Quarta, 25 de Outubro de 2017.

As vendas de automóveis novos no País cresceram 4,59% no primeiro semestre do ano, alcançando um volume de 847 mil 798 unidades. O desempenho positivo interrompeu o processo de queda nos negócios iniciado a partir de 2013, um cenário que permite às concessionárias do País sonharem com desempenhos de vendas melhores no ano que vem.

O crescimento do varejo de automóveis é dado como certo em 2018 pela Fenabrave, a entidade que as representa, previsão calcada na melhoria dos indicadores macroeconômicos, como queda na taxa de juros e controle da inflação. Apenas um condicionante preocupa o comércio de veículos no que tange ao seu futuro: a restrição do crédito.
 
Para Alarico Assumpção Junior, presidente da Fenabrave, a tendência para o último trimestre do ano e decorrer de 2018 é de manutenção do crescimento, o qual terá sustentação, entre outros fatores, na chegada de novos veículos como o Fiat Argo e o Renault Kwid: "A diminuição da inflação e da taxa de juros teve efeito direto nas vendas para pessoa física, no período. O resultado das vendas não foi melhor por causa da restrição ao crédito, que persiste, e deve se atenuar no ano que vem porque o consumidor voltou a cogitar comprar veículos, a renda média aumentou. Logo os bancos terão mais garantias para desembolsar recursos".
 
Sobre os financiamentos, modalidade que representa a maior fatia nas vendas de veículos novos via concessionária, o representante da Fenabrave diz que de cada dez pedidos de financiamento, no período, feitos aos bancos, três são aceitos: "Isso mostra como ainda o cenário é adverso às aquisições. O crédito é restrito e muitos brasileiros estão inadimplentes, ou seja, inaptos ao requerimento de capital para comprar um veículo novo".
 
A persistência da restrição não impediu, por outro lado, que a federação revisasse suas projeções para o ano. No segmento de automóveis, o crescimento esperado é de 4%, devendo o setor emplacar até dezembro 1 milhão 755 mil 833 carros. Em janeiro, a projeção para o ano, neste segmento, foi de 2%.
 
ABERTURA DE LOJAS - A Fenabrave evitou citar números para fundamentar sua visão positiva frente 2018 — ainda não fechou o balanço no qual publicará suas perspectivas. No entanto, considera que apenas questões ligadas à economia possam interromper o crescimento esperado para o ano que vem. "Fora o fator político, não vemos nada que possa impedir a retomada nos negócios do varejo de automóveis", crava o presidente da entidade. "Podemos afirmar que as lojas não fecharão mais e haverá abertura de novas. Os investidores que as controlam conseguiram estruturar a operação de modo a reduzir custos. Está em curso um processo de grupos econômicos comprando outros. O setor hoje está saudável financeiramente", diz o representante da Fenabrave.
 
Dados da Anef, a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras mostram que os bancos das montadoras e instituições independentes liberaram R$ 54,1 bilhões entre janeiro e julho para operações de CDC e leasing, uma alta de 19% em relação ao mesmo período de 2016.
 
Somente em julho, último mês aferido pela associação, o volume de financiamentos somou R$ 8 bilhões e representa o terceiro melhor mês de 2017, atrás de março e maio. Já a inadimplência nas operações de CDC para pessoas físicas caiu para 4,2% em julho, ante 4,4% em junho e 5,4% em julho do ano passado, o que pode indicar que as pessoas estão retornando à rede de concessionários, realizando a compra de veículos por meio de financiamentos.
 
Os dados vão ao encontro da expectativa das montadoras, que em setembro quase dobraram a previsão de crescimento nas vendas no ano, de 4% para 7,3%, um volume de 2,2 milhões de veículos, após as vendas em agosto crescerem 17% em relação a julho e 18% com relação na comparação com o mesmo mês de 2016.
 
Para a Fenabrave, a força de vendas que o varejo dispõe hoje está preparado para atender a projeção de aumento dos licenciamentos feita pelas fabricantes de veículos, ainda que a quantidade de lojas no País tenha diminuído.
 
"Desde 2008, depois do susto provocado pela crise econômica, vários grupos vêm se aprimorando para atender diversos perfis de demanda por veículos, seja na construção de ofertas ou prestando serviços de pós-venda que atraiam parte dos clientes que definem compra em função do serviço", explica o executivo.
 
Por conta disso, o representante diz que 2018 será o ano em que as concessionárias apostarão nos serviços como forma alternativa de ganhar rentabilidade afora a venda de veículos: "O setor apostará mais em serviço, o cliente está mais atento a este tipo de oferta. Muitas lojas investiram nisso e iniciarão planos de diversificação já em janeiro", conclui.
 
Fonte: AutoData – Perspectiva 2018