SINCODIV/SE - Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veîculos do Estado de Sergipe.

NotíciasSaiba tudo que acontece no setor.



Jan 05 2017

Vendas de veículos têm o pior resultado em 11 anos

  •  Quinta, 05 de Janeiro de 2017.

As vendas de veículos zero-quilômetro em 2016 tiveram o pior desempenho dos últimos 11 anos. Foram comercializados 2,050 milhões de unidades no ano passado, queda de 20,19% em relação a 2015. Este foi o quarto ano consecutivo de queda nos emplacamentos. Isso é o que aponta a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), que divulgou ontem, 4, os dados.

O resultado ficou abaixo da projeção da entidade, que era de encerrar o ano com queda de 16% nos emplacamentos de automóveis, comerciais leves (vans utilitárias e pickups), caminhões e ônibus frente a 2015, quando foram licenciadas 2,569 milhões de unidades, e o mercado já havia retrocedido ao patamar de 2007, após queda de 26,55%.

Os 519 mil veículos que deixaram de ser vendidos em 2016 fizeram com que o mercado dos zero-quilômetro chegasse perto do de 2006, quando haviam sido comercializadas 1,927 milhão de unidades.

“Este foi o pior ano da história da distribuição de veículos no Brasil nos últimos 11 anos”, afirma o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior. Segundo ele, “este foi um dos setores da economia que mais sofreu com as crises econômica e política do País. O mercado retroagiu a volumes equivalentes aos anos de 2005 e 2006. Este resultado deve-se a fatores já comentados ao longo do ano passado, como a queda acentuada do PIB (Produto Interno Bruto), incertezas geradas pela política, pelo desemprego, baixo índice de confiança do consumidor e de investidores, entre outros”.

Considerando apenas os automóveis e comerciais leves, em 2016 foram emplacadas 1,986 milhão de unidades, queda de 19,8% ante 2015, com 2,476 milhões – 490 mil carros a menos.

FIM DO ANO - A reação dos últimos dois meses do ano não foi suficiente para diminuir o tombo da indústria automobilística. Em dezembro, houve crescimento de 14,73% nos licenciamentos frente ao mês anterior, ao somar 204.397 unidades comercializadas. Na comparação com igual mês em 2015, porém, ainda se tem queda de 10,24%.

Assumpção Júnior aponta que dezembro tradicionalmente apresenta volume de vendas maior do que os meses anteriores. “O resultado positivo em dezembro, que teve 22 dias úteis, foi reflexo de dois dias a mais de vendas em relação a novembro. Além disso, as promoções que foram oferecidas e o incremento do 13º salário no orçamento das famílias contribuíram para o resultado positivo do último mês de 2016.”

USADOS - As vendas de veículos usados permaneceram estáveis em 2016, com leve alta de 0,21% frente ao ano anterior, totalizando 10,381 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Do montante, 10 milhões são carros que, de acordo com o levantamento da Fenabrave, têm entre um a três anos de fabricação.

Na comparação entre dezembro e novembro houve crescimento de 19,41% nas transações de veículos usados, somando 1,073 milhão de unidades. Ante o último mês de 2015 também houve alta, de 10,46%.

De acordo com Octavio Vallejo, diretor superintendente do Sincodiv-SP (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores do Estado de São Paulo), a relação entre a queda nas vendas dos zero-quilômetro e a estabilidade na comercialização dos usados é simbiótica. “Em tempos de crise e da alta do desemprego, o consumidor prefere pegar um seminovo do que um zero por uma série de fatores, como se endividar menos. Acredito que isso ainda vai perdurar por um tempo”.

Por outro lado, questionado sobre a possibilidade de saque das contas inativas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), que o governo vai liberar a partir de fevereiro – e devem injetar R$ 30 bilhões na economia –, Vallejo acredita que o benefício será indireto, pois os recursos deverão ser empregados em outras áreas. “Não creio que o trabalhador vá usar esse dinheiro para a compra de um carro, nem mesmo usado, mas para outras coisas, como contas em haver, limpar o nome, quitar parcelas das compras de fim de ano. O automóvel é bem para um segundo momento”.

O consultor automotivo e diretor da ADK Automotive, Paulo Roberto Garbossa, atribui parte dos resultados do setor às dificuldades enfrentadas na hora de adquirir empréstimo em momentos de recessão econômica. “Os bancos devem voltar a estimular o crédito, oferecer dinheiro para a população. Se nenhum estímulo for praticado, a tendência é que o setor piore mais.”

Emplacamentos de caminhões e ônibus diminuem em um terço

Os caminhões e ônibus amargaram tombo de 30,58% em 2016, com a comercialização de 64 mil unidades. Em dezembro, houve aumento de 17,29% nos licenciamentos, aos 5.373 veículos. Frente a igual mês em 2015, entretanto, a queda foi de 25%.

Octávio Vallejo, superintendente do Sincodiv-SP, explica que a queda na venda dos pesados se deve à demora da retomada da economia. “É como se fosse um efeito dominó. Se a indústria está em crise, não há nada que o caminhão possa transportar. Se o dono de uma transportadora não consegue cargas para os caminhões, é óbvio que ele não vai comprar mais um caminhão, ou trocar seu modelo antigo”, compara.

“Com o ônibus é a mesma coisa. A empresa de turismo não vai fazer loucuras. O pessoal está viajando menos, o que significa menos lucro para o dono da empresa, que represa investimentos até que a situação melhore”, diz Vallejo.

PREVISÕES - De acordo com as projeções da Fenabrave, em 2017 o setor deve apresentar crescimento de 3,11% para todos os segmentos somados (incluindo motos e implementos rodoviários). Para automóveis e comerciais leves, a expectativa é de alta de 2,4% sobre os resultados, já para caminhões e ônibus, a perspectiva é de incremento de 3,15%.

O segmento de motocicletas, que vem sofrendo sucessivas quedas desde a crise de 2008, deverá apresentar alta estimada em 4,04%.

“Se o setor como um todo não crescer 5% ou 6% em 2017, as coisas vão ficar mais feias. Se o cidadão não conseguir crédito para comprar um carro, as empresas vão demitir mais e mais até que uma hora serão obrigadas a fechar, o que é muito triste”, avalia o consultor Paulo Roberto Garbossa.

Fonte: Diário do Grande ABC - Economia