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Jul 07 2016

Vendas de veículos voltam ao patamar de 10 anos atrás

  •  Quinta, 07 de Julho de 2016.

As vendas de veículos no primeiro semestre retrocederam ao patamar de dez anos atrás, apesar de a indústria ensaiar um tímido início de recuperação apoiada em uma melhora da confiança dos brasileiros.

"O setor está bem perto do fundo do poço, mas a recuperação das vendas vai ser muito gradual. Um crescimento consistente ainda vai demorar", avalia o analista automotivo da Tendências Consultoria, João Morais.

No primeiro semestre do ano, os licenciamentos de veículos tiveram retração de 25,4% em relação ao mesmo período de 2015, para 983,5 mil unidades, divulgou ontem Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O volume é o menor desde os primeiros seis meses de 2006.

Apesar da retração, as vendas vêm apresentando melhora, mês a mês. Na passagem de maio para junho, houve crescimento de 2,6% dos emplacamentos.

Para Morais, essa expansão é um reflexo dos indicadores que mais impactam a decisão de compra de automóveis, que têm mostrado sinais de melhora. Emprego e massa salarial (que é a soma da renda e do emprego) vêm apresentando estabilidade. Contudo, a perspectiva ainda é muito ruim no curto prazo.

"O mercado de trabalho deve ser um dos últimos a responder com a melhora do cenário econômico e isso afeta diretamente a intenção de compra de veículos", pondera o analista da Tendências. A massa salarial, acrescenta Morais, se mantém em movimento de queda.

De acordo com levantamento da Anfavea, a participação do financiamento nas vendas do setor atingiu o menor nível da série histórica, de 51,8%. A média costuma ser de 60%.

Conforme explica Morais, o receio do consumidor em assumir um financiamento e a contínua seletividade dos bancos devem continuar sendo um entrave para a expansão da indústria automotiva.

"Não há espaço para recuperação do financiamento nas vendas do setor no curto prazo", acredita o analista. Ele salienta que os bancos continuarão bastante seletivos com consumidores de perfil mais arriscado, porém, bons pagadores terão acesso a financiamento. "A oferta de crédito existe, o problema é que o brasileiro está com receio de tomá-lo", comenta.

Morais diz ainda que as oportunidades de financiamento vistas no passado recente não vão voltar. "As condições oferecidas pelos bancos não serão tão favoráveis como vimos nos últimos anos."

No entanto, o presidente da Anfavea, Antonio Megale, se mostra otimista e acredita que a indústria já começa a mostrar um início de recuperação.

"Alguns indicadores vêm demonstrando sinais positivos, como a confiança do consumidor. Diante das medidas de controle de gastos do governo, a inflação deve cair e poderemos ver resultados melhores nos próximos meses", pontua.

Alerta

O analista da Tendências ressalta, entretanto, que não só a melhora da confiança promove o consumo, apesar de ser um fator necessário para estimular a retomada das vendas. "O cenário vai continuar extremamente complicado até o ano que vem", diz Morais.

Segundo projeção da Tendências, o desemprego deve continuar acima de 10% pelo menos nos próximos cinco anos. "O indicador não vai atingir um dígito do dia para a noite", pondera.

A média do desemprego para 2016, conforme projeção da consultoria, deve ficar em 11,7% e, para o ano que vem, deve subir a 13%. A Anfavea se mostra preocupada com o indicador. "Enxergamos relação absolutamente direta entre o receio da perda de emprego e o tamanho do nosso mercado", declarou Megale.

O dirigente acredita que a definição do cenário político é primordial para que a economia volte a girar. "Queremos que a questão do impeachment seja resolvida o mais rapidamente possível", observa.

Contudo, Morais, da Tendências, se mostra cético em relação ao impacto que essa definição poderia trazer, principalmente no setor automotivo. "Parece que o mercado já respondeu à abertura do processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff. Não sei se haveria uma nova resposta", analisa.

Segundo ele, as medidas econômicas do governo interino de Michel Temer estão demorando mais do que o esperado para surtir efeito. "Até agora pouca coisa aconteceu de fato e isso gera apreensão."

Exportações

O único indicador da indústria automotiva que continua apresentando resultados positivos no acumulado do ano são as exportações. Segundo balanço da Anfavea, os embarques das montadoras brasileiras tiveram avanço de 14,2% no primeiro semestre sobre um ano antes, para 226,6 mil unidades.

"A nossa meta de superar meio milhão de veículos em exportações, neste ano, deve ser alcançada", estima Megale.

Com isso, a produção no primeiro semestre apresentou leve descompasso em relação às vendas. De janeiro a junho, o setor produziu 1,01 milhão de unidades, queda de 21,2% na comparação com igual período de 2015. Já os emplacamentos continuam em ritmo mais lento de retomada.

Fonte: DCI - NEGÓCIOS iNDÚSTRIA - São Paulo