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Jul 01 2016

Brasil se torna polo de pneus agrícolas da Michelin para toda América Latina

  •  Sexta, 01 de Julho de 2016.

Primeira unidade fora da Europa, fábrica em Campo Grande (RJ) recebeu aporte de R$ 100 mil para adaptação; tecnologia da empresa pode melhorar em até 4% a produtividade em lavouras.

Destino de 1 bilhão de euros em investimentos nos últimos cinco anos, o Brasil foi escolhido pela Michelin, uma das maiores fabricantes de pneus, para fornecer produtos específicos para o agronegócio de toda a América do Sul.

Isso porque é daqui que surgem as maiores demandas do segmento agrícola para a empresa. À medida que a tecnologia embarcada nas máquinas utilizadas na lavoura avança, cresce também a necessidade de pneus que tragam ganhos de produtividade. Neste contexto, segundo a companhia, o pneu do tipo radial é o mais indicado para a agricultura de precisão.

"Os grupos AGCO [dono das fabricantes de máquinas Valtrae Massey Fergusson], CNH Industrial [proprietário das concorrentes Case e New Holland agrícola] e John Deere, além das principais empresas do ramo usam o pneu radial. Esse foi um dos motivos que nos trouxe aqui", afirmou o diretor mundial da divisão agrícola da Michelin, Emmanuel Ladent, durante evento ontem em Campo Grande (RJ), cidade onde foi instalada a primeira unidade da empresa fora da Europa.

Segundo o executivo, há uma forte demanda dos agricultores brasileiros, pois a radialização dos pneus deste setor é capaz de reduzir a compactação do solo e diminuir as despesas com combustíveis, por exemplo.

Dentre produtos para reposição e para equipamentos novos, o País ainda representa apenas 6% das vendas de pneus radiais da empresa, percentual que na Europa salta para 87%. Considerada apenas a reposição, a companhia lidera este nicho no Brasil, cujo market share subiu 36% desde 2013, para os atuais 26% do mercado.

"Culturas como a soja, café e cana-de-açúcar são as que geram as maiores demandas do País. Na América Latina, o Brasil lidera o consumo do nosso produto, seguido pela Argentina. Em volume menor, pretendemos vender também para Colômbia e Chile", destaca o presidente da empresa na América do Sul, Nour Bouhassoun. "A Michelin acredita no potencial dos mercados brasileiros e confia que o que está acontecendo é passageiro", acrescenta, em referência à crise econômica do País.

Ao DCI, Bouhassoun conta que, caso haja aumento na demanda destes países, é preferível expandir a unidade fabril de Campo Grande ao invés de construir novas fábricas em países vizinhos. "Aqui será o polo de fabricação", enfatiza.

Unidade fabril

A fábrica de Campo Grande recebeu aporte de R$ 100 mil para agregar a área agrícola. Num primeiro momento, a capacidade é de 40 mil unidades por ano em torno de 20 tamanhos distintos. O diretor de comércio e marketing de pneus agrícolas da Michelin América do Sul, Christian Mendonça, explica que o objetivo é fornecer não só para tratores, mas também a demais máquinas do segmento como colheitadeiras e pulverizadores.

"Começamos com a tecnologia diagonal, depois radial e agora radial Ultraflex. Esta última conta com uma pegada até 70% maior em relação às demais", afirma Mendonça, sobre a maior tração, distribuição de peso do equipamento e rapidez no trabalho proporcionada pelo pneu da linha Ultraflex, último lançamento da empresa no segmento.

Potencial tecnológico

Um estudo realizado pela universidade britânica Harper Adams mostra que o ganho potencial de uma lavoura de commodities pode chegar a 4% quando todas as máquinas envolvidas na produção têm pneus radiais substituídos pelos com a tecnologia Ultraflex IF (Increased Flexion) e VF (Very High Flexion).

"Se trouxermos esse estudo para a realidade brasileira, podemos dizer que um produtor de 2 mil hectares consegue uma produtividade média de soja de 3,12 mil quilos por tonelada (52 sacas por hectare). Com o aumento de 4% citado pelo estudo, considerando o preço da saca de 60 quilos de soja a R$ 80, há um ganho superior a R$ 320 mil por safra", comenta Mendonça.

O vice-chanceller da Harper Adams, Peter Mills, ressalta que há tratores que pesam até 60 toneladas, daí a necessidade de procurar por ferramentas que diminuam este dano. "A pressão interna de um pneu está na pequena área em que ele fica em contato com o chão. Fizemos este levantamento para que o produtor rural entenda que isso pode aumentar suas despesas e que as recompensas [pela mudança] são significativas", afirma o especialista. "O pneu é o elo entre a máquina agrícola e o solo, [sendo assim] é possível atribuir a ele uma série de resultados positivos", completa.

Fonte: DCI - Negócios Agronegócios