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Mai 12 2016

Varejo tem pior primeiro semestre desde 2001

  •  Quinta, 12 de Maio de 2016.

O comércio varejista começou 2016 com o pé esquerdo. As vendas tiveram o pior primeiro trimestre já visto (a pesquisa é feita desde 2001), seja na comparação com o trimestre imediatamente anterior (-3,2%) seja em relação ao mesmo período do ano anterior (-7,0%). Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio, iniciada em 2000 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“O resultado confirmou o agravamento da crise no varejo registrada no ano passado. Claro que isso vem a reboque de toda a deterioração no mercado de trabalho, reflexo da crise econômica que se agravou no último trimestre do ano passado”, justificou o economista Fabio Bentes, da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Analistas já calculam o tamanho da retração no Produto Interno Bruto brasileiro do primeiro trimestre do ano. Na previsão do Bradesco, a economia encolherá 0,8% em relação ao trimestre anterior.

“Para os próximos meses, entretanto, esperamos redução do ritmo de contração da atividade, conforme apontam os indicadores coincidentes referentes a abril, bem como sugerido pela contínua melhora da confiança do empresariado e dos consumidores”, prevê a análise de Octavio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

A Tendências Consultoria lntegrada estima melhora nos resultados especificamente do setor varejista apenas no segundo semestre do ano. A expectativa é de nova sequência de retração nas vendas nos próximos meses.

“No curto prazo, esta tendência deve persistir até que o encaminhamento da questão política mostre efeitos sobre a confiança dos consumidores e esta sobre o consumo, o que estimamos que ocorra em meados do segundo semestre”, avaliou João Morais, analista da Tendências pesquisados.

“E um resultado negativo geral, que não está concentrado numa atividade, mas que tem forte influência de supermercados. Isso reflete não só a perda real da renda, que tem impacto direto no consumo no setor supermercadista, mas também tem impacto da evolução de preços de alimentos, que subiram acima da taxa de inflação no mês de março”, apontou lsabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

Perdas. Na passagem de fevereiro para março, a principal influência sobre o recuo de 0,9% registrado pelo varejo no período veio da queda no volume vendido pelos supermercados, derrubado pela inflação de alimentos e pela redução na renda do trabalhador. No entanto, apesar do impacto maior dessa atividade sobre a média nacional, as perdas foram praticamente generalizadas entre os setores Apenas farmácias e vendedores de equipamentos de informática escaparam do vermelho em março. “O desaquecimento do mercado de trabalho, a pressão inflacionária e o aumento na taxa de juros formam os pilares que inibem o consumo”, acrescentou a gerente do IBGE.

No varejo ampliado,houve redução nas vendas de veículos e de material de construção, mas em ritmo menor do que o registrado nas leituras anteriores. “Pelo menos no varejo ampliado - que inclui as atividades de veículos e material de construção - parece que o fundo do poço já passou”, disse Bentes.

A CNC estima que o comércio varejista encolha 4,8% em 2016,enquanto que o varejo ampliado recue 8,8%. “Nos dois casos os resultados fariam de 2016 o pior ano do varejo”, concluiu Bentes.

Fonte: O Estado de S. Paulo - Economia & Negócios