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Fev 05 2016

Estepe obrigatório é atraso, diz indústria

  •  Sexta, 05 de Fevereiro de 2016.

Membros da indústria de veículos e pneus consideraram "um atraso" o Projeto de Lei 952/2015, do deputado Fábio Mitidieri (PSD/SE), que propõe obrigar o uso dos estepes full size (idênticos aos pneus originais de um carro) em todos os automóveis vendidos em território nacional. Caso aprovado, ele tornaria proibido o uso os chamados estepes temporários, mais finos e que atuam com limitação de velocidade e quilometragem. Com o fim do recesso parlamentar de fim de ano, o Congresso Nacional brasileiro voltará a tramitar a proposta ao longo deste ano.

Atualmente as leis brasileiras obrigam o uso de rodas sobressalentes em toda a frota circulante, mas não especifica que elas precisam ser iguais aos pneus titulares. No ano passado, o Contran (Conselho Nacional de Trânsito) chegou a criar uma resolução para regulamentar o uso de estepes temporários e também o de pneus run flat (capazes de andar temporariamente, mesmo esvaziados), a velocidades de até 80 km/h.

Para Alberto Maia, presidente da Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneus), a medida colocaria o país na contramão das novas tendências globais . "Ela é totalmente inútil", criticou. "A grande maioria das pessoas anda só na cidade. Estepes provisórios, pneus run flat e até kits de vedação são suficientes nesses casos", seguiu o executivo, que comparou o caso ao dos extintores ABC -- que deixaram de ser obrigatórios poucos meses depois de virar item indispensável.

Lothar Werninghaus, consultor técnico da Audi, apontou outros fatores: "A vida útil de um pneu é de cinco anos. Se um estepe leva três, quatro anos até ser usado, já terá perdido boa parte da cristalização e da aderência da borracha. Além disso, em veículos com tração 4x2 o desenho dos pneus pode mudar de um eixo para o outro. Já os compostos de tipo radial precisam respeitar o sentido de giro correto, para não comprometer a estabilidade. Que critério será seguido nessas situações?", questionou.

Há ainda as questões de peso, volume e custos: segundo a Anip, um pneu-socorro temporário pesa cerca de 60% menos do que um convencional de aço aro 15 (quem entende de carros minimamente sabe que, quanto maior o lastro presente, mais combustível um veículo vai consumir); uma roda aro 20 com 23,5 cm de largura ocupa até 70 litros de volume em um porta-malas; e enquanto um conjunto de estepe fino com roda e pneu custa menos de R$ 300 em sites como o Mercado Livre, um pneu full size se aproxima de R$ 1.000, dependendo do modelo.

Justificativa

O objetivo do PL 952/2015 é criar um inciso ao artigo 105 do CTB (Código Brasileiro de Trânsito), que estabelece todos os itens obrigatórios em um automóvel. Em contato com UOL Carros via assessoria, o deputado Fábio Mitidieri defendeu que as condições viárias de certas regiões do Brasil impedem o uso das soluções apontadas pelos especialistas. "Hoje, caso um motorista tenha um problema em rodovia remota, como no Acre, o estepe não está dimensionado a operar em velocidades superiores a 60 km/h, nem a andar por muitos quilômetros. Assim, seu uso aumenta o risco de acidente", justificou.

Segundo ele, a alteração no CTB também não causaria grandes impactos à produção local. "Os carros brasileiros sempre foram uns dos mais caros do mundo. Certamente a inclusão de um estepe nas mesmas condições dos pneus originais não afetará estrutura de preços. Entendemos que conforto e segurança devem ser prioridades das montadoras", argumentou.

O PL já foi aprovado pelo relator da Comissão de Defesa do Consumidor da casa, mas ainda precisa passar pelo crivo das comissões de Desenvolvimento Econômico e Indústria, de Viação e Transporte, e de Constituição, Justiça e Cidadania. Em contato com UOL Carros, a assessoria do autor da proposta admitiu que a circulação ainda deve levar alguns meses até entrar em votação.

Descumprimento a essa nova lei seria considerado infração grave, com perda de cinco pontos na CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e multa de R$ 127,69. Procuradas, assessorias de montadoras que operam no país, seja com produção local, caso de Fiat e Renault, seja por importação, caso da Jaguar-Land Rover, não quiseram se manifestar a respeito da questão.

Fonte: Bol (Via Fenabrave)