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Out 03 2015

Fabricação de veículos despenca e leva indústria a encolher 9%

  •  Sábado, 03 de Outubro de 2015.

 A recessão na indústria se aprofundou em agosto, disseminando taxas negativas entre 23 dos 26 ramos de atividades pesquisados pelo IBGE. A produção encolheu 9% na comparação com igual mês do ano passado, o pior resultado para agosto em 12 anos e a 18ª queda seguida, o que significa um ano e meio de retração. De todos os setores analisados na Pesquisa Industrial Mensal (PIM) o setor automotivo foi o que mais contribuiu para os resultados negativos da indústria. A fabricação de veículos, reboques e carrocerias caiu 9,4% em agosto, 21% nos primeiros oito meses de 2015 e 26,2% nos últimos doze meses.

O setor automotivo cresceu bastante até dois anos atrás, mas carro não é um bem que se compra todos os dias. Com os juros de financiamento mais caros, queda na renda e desemprego, se posterga a decisão de compra. Em razão da demanda insuficiente, a indústria automobilística está com os estoques além do desejado — analisa o economista Flávio Castelo Branco, gerente executivo da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Como a cadeia automotiva é longa, o impacto de oscilações do setor sobre a economia é ainda mais relevante, explicam os analistas da LCA Consultores, em relatório sobre os índices divulgados nesta sexta-feira.

Já na avaliação de Leonardo Carvalho, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), preocupa o fato de atividades de todas as categorias de consumo terem apresentado resultados negativos em agosto. Na comparação com o mesmo mês de 2014, apenas a indústria extrativa, de celulose e produtos de papel, e o setor de bebidas tiveram alta na produção, de 2,9%, 1% e 0,6%, respectivamente. De acordo com o gerente da PIM, André Luiz Macedo, a indústria está produzindo 15% menos do que em junho de 2003, o ponto mais alto da produção, e o mesmo que em maio de 2009, quando o país estava em recessão causada pela crise financeira global.

É claro que o impacto de resultado do setor automotivo é muito maior por causa da sua representatividade na indústria. Mas, com exceção desses três setores, as taxas negativas se disseminaram. Não é um quadro recente, pois desde 2010 a indústria estava estagnada, mas ele se agravou muito a partir do ano passado — ressalta Carvalho.

SETOR DE BENS INTERMEDIÁRIOS FOI O ÚNICO QUE CRESCEU

Entre as grandes categorias econômicas, quatro tiveram queda de produção em todas as comparações. A única exceção foi bens intermediários (matérias-primas), que cresceu 0,2% em relação a julho. A retração mais acentuada foi em de bens de capital, que são as máquinas e equipamentos usados nas fábricas. O setor recuou 33,2% em um ano — a 18ª taxa negativa consecutiva e a maior da série histórica, iniciada em 2003.

De acordo com o IBGE, o segmento foi influenciado pelo recuo na produção em todos os seus grupamentos, com destaque para a redução de 39,1% de bens de capital para equipamentos de transporte, ou seja, de novo, a influência da indústria automobilística. Nesse mesmo período, o segmento de bens de consumo duráveis recuou 14,6% - também a 18ª queda seguida - influenciado pelo desempenho ruim de automóveis e de eletrodomésticos.

Segundo o gerente da PIM, as duas quedas são reflexo do cenário econômico incerto, que leva empresários e consumidores a adiarem decisões de investimento e consumo.

O setor de bens de capitais está encolhendo a olhos vistos e não há expectativa de recuperação em curto prazo, já que o nível de ociosidade da indústria é grande. Já o setor de bens de consumo está sendo afetado pelo alto nível de endividamento e pelo fantasma do desemprego, explica Fabio Silveira, diretor de Pesquisas Econômicas da GO Associados.

De acordo com o último boletim Focus do Banco Central, divulgado na segunda-feira, a previsão é de que a produção industrial encerre o ano com queda de 6,65%.

Procurada para comentar os resultados da PIM, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) não tinha porta-voz disponível.

Fonte: O Globo – Economia