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Set 03 2015

25º Congresso da Fenabrave - Entrevista com José Pastore, professor da FEA-USP, especialista em Relações do Trabalho

  •  Quinta, 03 de Setembro de 2015.

Palestrante do painel organizado pelo Sincodiv-SP para este 25º Congresso da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), que acontecerá entre os dias 15 e 16 de setembro, José Pastore é Ph. D. em Sociologia pela Universidade de Wisconsin (EUA) e professor titular da Faculdade de Economia e Administração e da Fundação Instituto de Administração da USP (Universidade de São Paulo), além de pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.

Especialista em questões trabalhistas, ele apresentará o tema Relações do Trabalho no Ajuste Fiscal no segundo dia do evento (16/09), às 8h30, abrindo o painel sobre o tema no Congresso, que é o maior da América Latina para o setor de distribuição de veículos. Nesta conversa exclusiva para o portal do Sindicato, Pastore discorre sobre PPE (Programa de Proteção ao Emprego), Reforma Trabalhista e traz sua avaliação sobre o cenário de retração no mercado de trabalho, destacando que “em menos de dois anos o Brasil saiu do apagão de mão de obra para o apagão de empregos”. Leia a íntegra da entrevista a seguir: 

Sincodiv-SP Online: O senhor acredita que haverá uma crescente adesão de empresas ao PPE, visando manutenção dos postos de trabalho? Por quê?

José Pastore: Acredito que sim. Penso que esse programa será mais e mais usado na medida em que o desemprego for aumentando ao longo dos próximos 12 meses, conforme previsão da maioria dos analistas do mercado de trabalho.

O quadro atual é muito preocupante. Nos últimos 12 meses, a economia brasileira “destruiu” cerca de 800 mil empregos, e deve “destruir” ainda mais 400 mil até o final do ano. Terminaremos 2015 com 1,2 milhão de empregos a menos quando comparado com 2014. Para atenuar essa avalanche de desemprego, acredito que muitas empresas vão procurar o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) para aderir ao PPE.

Sincodiv-SP Online: O atual momento de retração econômica pode levar a um maior debate sobre a importância da Reforma Trabalhista?

José Pastore: Penso que toda crise força mudanças. Veja o caso da Europa: as mudanças trabalhistas e previdenciárias no sul da Europa só ganharam corpo depois de instalada uma gravíssima recessão em Portugal, Espanha e Itália. Naqueles países o desemprego apresentou taxas estratosféricas, chegando a mais de 25% na Espanha, por exemplo.

Para evitar um mal ainda maior e buscar saídas para a crise, a população aceitou vários remédios amargos que resistiu anos a fio, como mudanças na aposentadoria, nas regras salariais, nas formas de contratação, etc.

Com o inevitável agravamento da crise nos próximos 12 meses, o Brasil também se abrirá para algum tipo de reforma.

Sincodiv-SP Online: Existem mudanças que poderiam ser adotadas nos curto e médio prazos?

José Pastore: Sim. Uma das medidas mais simples seria a de dar força total à quitação dos contratos de trabalho e acabar com essa rotina de se entrar na Justiça do Trabalho para a reclamação de verbas que acabaram de ser quitadas na frente do sindicato laboral e de autoridades do MTE.

Acredito ainda haver espaço para se aprovar algum dos projetos de lei que tramitam no Congresso sobre os contratos de formação mediante os quais jovens recém-formados possam ser contratados com menos encargos sociais.

Penso haver espaço também para se rediscutir as bases das cotas de aprendizes e de portadores de deficiência. E há outras questões que poderiam ser debatidas para melhorar o ambiente laboral.

Sincodiv-SP Online: O desemprego está avançando após um longo período de retração. Como o senhor avalia a situação?  

José Pastore: Em menos de dois anos o Brasil saiu do apagão de mão de obra para o apagão de empregos. A situação já é muito grave. Temos 7,5% de desempregados nas regiões metropolitanas.

No país, como um todo, são mais de oito milhões de brasileiros que procuram trabalho e não acham. E, o quadro tende a se agravar, pois as empresas, em sua maioria, não vendem, estão com estoques elevadíssimos, não têm pedidos em carteira e estão com uma ociosidade enorme. Com esse quadro, o desemprego tende a aumentar.

Sincodiv-SP Online: Diante do atual cenário, quais as perspectivas para o mercado de trabalho?

José Pastore: Para a maioria dos analistas, 2015 foi um ano perdido em matéria de emprego. Penso que o desemprego chegará a 9% no Brasil até o fim do ano.

A saída para essa crise virá apenas nos meados de 2016 e, mesmo assim, apenas se o governo assumir uma liderança pedagógica e explicar ao povo a necessidade de modernizar nossas instituições, em especial a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), os sindicatos e a Justiça do Trabalho.

 Fonte: Portal do Sincodiv-SP – www.sincodiv.org.br  (Por Juliana de Moraes e Renan De Simone)