SINCODIV/SE - Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veîculos do Estado de Sergipe.

NotíciasSaiba tudo que acontece no setor.



Jun 18 2015

Alta Tecnologia é o atrativo dos pequenos veículos

  •  Quinta, 18 de Junho de 2015.

Tendência no mundo todo, os pequenos carros com alta tecnologia embarcada, motores reduzidos (muitas vezes turbinados), menor consumo de combustível, conforto interno e conectividade ainda tentam conquistar o brasileiro.

Na hora de escolher um novo modelo, o consumidor nacional acaba preferindo os grandes veículos, mesmo tendo acesso ao que há de mais avançado em tecnologia e inovação na indústria automotiva.

"Enfrentamos uma luta diária para que o conceito deste tipo de carro seja valorizado no Brasil", afirmou ao DCI o consultor do selo Smart, da Mercedes-Benz, Gabriel Valadão. A marca fabrica o icônico modelo de apenas 2,7 metros (enquanto carros compactos têm pelo menos 4 metros).

Valadão explica que o Smart foi concebido para ser uma solução urbana. Ele assegura que o veículo comporta dois passageiros confortavelmente. "O espaço interno é surpreendente. Tanto que rapidamente o Smart caiu no gosto do europeu principalmente pela questão racional", pontua.

Nominalmente, o modelo faz cerca de 14 quilômetros por litro. "Mas o consumo atinge tranquilamente 20 km por litro", garante. Além disso, a marca afirma que o carro é mais ecológico do que outros modelos. "No quesito emissões, o Smart é imbatível", diz.

Outro ponto que leva europeus a adotarem o Smart é a facilidade para estacionar. "Na Europa, as vagas são escassas e carros menores chegam a pagar menos em estacionamentos", revela Valadão.

Ele garante ainda que o desempenho do carro, apesar do tamanho, é satisfatório. "O Smart vai de 0 a 100 quilômetros em 10,7 segundos."

Batalha para crescer

De acordo com o consultor Smart, apenas algumas marcas chinesas e indianas possuem modelos com tamanho similar ao Smart. "Mas nenhuma possui a mesma qualidade e segurança", assegura Valadão.

No Brasil, um carro que se aproxima do Smart em termos de dimensões é o Fiat 500, que tem quase um metro a mais que o modelo da Mercedes.

E ambos enfrentam a batalha da cultura do carro grande, no Brasil. Apesar de todos os benefícios que um veículo pequeno pode trazer ao usuário, o brasileiro ainda prefere modelos maiores.

"O aumento das vendas passa prioritariamente pela mudança da cultura do nosso País em relação ao carro", pondera Valadão. Prova disso são os números de vendas do Fiat 500, por exemplo. No ano passado, a montadora comercializou 5,06 mil unidades do veículo, cujo preço de entrada gira em torno de R$ 48 mil.

O Smart também pode ser adquirido com preços a partir de R$ 55 mil. Mas nem todos os brasileiros estão dispostos a desembolsar essa quantia por um veículo para dois passageiros. "Costumamos dizer que o Smart não vai ser o primeiro carro da família, mas sim para quem precisa de um veículo no dia a dia", diz Valadão.

Por uma questão estratégica, a Mercedes opta por importar uma quantia limitada de unidades do Smart (que gira em torno de 500 veículos por ano) para atender às exigências do regime automotivo, que impõe barreiras para o produto importado através do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) mais alto.

"É um cenário que não favorece as vendas, pois toda carga tributária elevada acaba impedindo a massificação de um produto como este", diz Valadão. Ainda assim, o executivo afirma que o grupo Daimler continua investindo na marca no mundo, inclusive no Brasil.

"O Smart é muito importante para o grupo e, apesar dos volumes de vendas relativamente pequenos, a estratégia da companhia vem sendo cumprida", comenta Valadão.

O executivo informa ainda que a rede da marca vem sendo ampliada localmente. "Começamos com um ponto de venda em 2009 e hoje temos 16 espalhados pelo País", afirma. "Neste ano, o volume de vendas no Brasil está acima do esperado", complementa.

A compra de carros pequenos na Europa é muito racional. Já no Brasil, principalmente pela questão do preço, a aquisição acaba sendo puramente emocional. Mas diante do cenário de escassez iminente dos recursos e dos níveis críticos de poluentes, em breve brasileiros que comprarem estes modelos serão movidos basicamente pela racionalidade.

Fonte: DCI – Inovação e Tecnologia – 18/06/2015 – Pág. 16